Contra-indicações e cuidados com plantas medicinais

Como qualquer medicamento, as plantas medicinais são extremamente úteis para tratar determinadas doenças, mas ao mesmo tempo podem também ser contra-indicadas para outras. Algumas delas deverão também ser alvo de especial precaução, pois apesar de serem benéficas em pequenas quantidades, podem ser tóxicas ou mesmo mortais se não tomar os devidos cuidados.

Não se deve assustar e muito menos perder o interesse nas plantas medicinais! Estas precauções são comuns a qualquer substância: utilizando-as da forma correcta apenas ficará a ganhar!

Assim, sempre que seleccionar uma planta medicinal para uma qualquer doença, confira nesta lista se existem casos para os quais não é indicada.

 

A B C D E F G H I J L M N P Q R S T U V Z

A

  • Abeto-branco – em doses excessivas, pode constituir perturbações nervosas, sobretudo nos mais jovens.
  • Abrunheiro-bravo – não deverá comer nem mastigar os caroços dos frutos, pois estes são altamente tóxicos; a casca tem também as mesmas propriedades, devendo por isso limitar-se a folhas e aos frutos.
  • Absinto – aplicam-se os mesmos efeitos de intoxicação que a bebida tem: doses excessivas causam delírio, convulsões, tremores e vertigens. Não é recomendado em qualquer situação a mulheres grávidas ou lactantes. Também não é recomendado a quem possa sofrer de úlceras ou gastrites.
  • Acácia-bastarda – deve limitar o uso às flores e às folhas, pois os restantes componentes desta planta são tóxicos.
  • Açafrão – uma dose excessiva é altamente tóxica, com graves consequências a nível dos sistemas nervoso e renal. Deve ser evitada por grávidas.
  • Acónito – nunca deve ser utilizado sem acompanhamento médico, pois o acónito é das plantas mais venenosas do mundo! Apeas pode ser utilizado em fármacos próprios e controlados, dentro das quantidades prescritas.
  • Adónis-da-itália – é difícil quantificar a dose mais indicada, pelo que apenas deverá ser utilizado sob acompanhamento médico. O uso excessivo é tóxico, levando a vómitos, náuseas e diarreias.
  • Agrião – em grandes quantidades pode irritar o estômago; deve ainda ser evitado por grávidas, por constituir perigo para o feto.
  • Agripalma – actua sobretudo no coração, pelo que o uso excessivo pode sobrecarregar o músculo, levando a perturbações graves.
  • Aipo – não recomendado a grávidas.
  • Alcaçuz – devido à componente esteróide de que é dotado, o seu consumo prolongado (questão de meses) pode causar problemas nas articulações, dor de cabeça e hipertensão. Não se recomenda a utilização durante a gravidez e em casos de hipertensão.
  • Alfazema – doses altas em na forma de essência podem causar convulsões.
  • Alho – não deve ser utilizado em doses altas em casos de hemorragias, qualquer que seja a sua origem (mesmo traumática). Também não se recomenda o uso continuado de grandes doses durante a gravidez.
  • Aloé-vera – deverá ter um cuidado especial com as alergias a esta planta, que são extremamente comuns. A evitar por parte de mulheres grávidas e menstruadas; não é recomendável em casos de hemorróidas nem a crianças em qualquer situação.
  • Amieiro-negro – não é recomendado o uso por parte de grávidas, lactantes, ou durante a menstruação. Pessoas com hemorróidas deverão igualmente evitar o amieiro-negro.
  • Anémona-hepática – apenas deve utilizar as folhas secas, pois a planta fresca é considerada tóxica.
  • Aristolóquia – apenas se deve usar a raiz seca, pois a fresca é bastante tóxica; dadas as suas propriedades delicadas, apenas deve ser utilizada com acompanhamento médico. A ser evitada em qualquer situação por mulheres grávidas.
  • Arnica – para uso exclusivamente externo, pois a sua ingestão é tóxica.
  • Arruda – deve ser evitada por grávidas;
  • Artemísia – não é recomendado a grávidas nem a lactantes; o tratamento prolongado (ou doses excessivas) pode causar perturbações nervosas.
  • Ásaro – apenas deverá recorrer à planta seca ou em pó, pois a fresca provoca perturbações digestivas; mesmo nesses casos, deverá controlar as quantidades usadas, pois o excesso causará uma gastroenterite grave e, eventualmente, hemorragias.
  • Asclépia – apenas deve ser utilizada seca, pois folhas e caule frescos são tóxicos.
  • Azedas – evitar o uso em caso de gota ou cálculos no rim.
  • Azevinho – é um facto bastante conhecido, mas nunca é demais lembrar: as bagas do azevinho são altamente venenosas, podendo causar fortes vómitos e convulsões (e consequências ainda mais graves).

B

  • Bérberis – não deverá exceder as doses recomendadas pois a casca da raiz (a parte utilizada) é naturalmente tóxica.
  • Betónica – para uso exclusivamente externo; a ingestão de qualquer parte da planta causará vómitos e diarreia.
  • Boldo – não é recomendada a sua utilização por grávidas ou lactantes, como medida de precaução; além disso, uma dose excessivamente alta terá efeitos soporíferos, com a consequente acção sobre o sistema nervoso.
  • Bolsa-de-pastor – não recomendado em casos de hipertensão.
  • Briónia – as bagas são altamente tóxicas, devendo evitá-las a todo o custo. Em casos extremos podem provocar a morte.
  • Buxo – o seu uso deve ser evitado por grávidas, lactantes, e em casos de hipotensão e fraqueza geral. Não é recomendado para crianças em qualquer circunstância. Doses excessivas poderão causar transtornos no sistema nervoso, assim como perturbações gástricas.

 

C

  • Cacau – apesar de ser uma delícia, o cacau não é recomendado (mesmo sob a forma de chocolate ou outros variados) em casos de prisão de ventre, insónias e taquicardia. Também irá agravar a acne nos adolescentes.
  • Calumba – não deverá exceder as quantidades indicadas, pois em doses elevadas terá efeitos tóxicos graves, desde náuseas e vómitos até problemas respiratórios graves.
  • Cáscara-sagrada – deve ser evitado por mulher menstruadas, grávidas ou lactantes, e ainda por pessoas com hemorróidas.
  • Castanheiro-da-índia – apesar do aspecto semelhante ao castanheiro comum, não confunda os seus frutos, pois estes são tóxicos.
  • Celidónia – no que diz respeito ao uso externo, não a deve aplicar em ferimentos recentes ou por cicatrizar.
  • Cerejeira-da-virgínia – ainda que a casca seja perfeitamente saudável, as folhas são venenosas.
  • Cersefi-bastardo – as sementes e os frutos são tóxicos, pelo que não os deve comer; pode ficar descansado quanto ao resto da planta, pois é perfeitamente saudável.
  • Cicuta – se estudou filosofia, talvez já tenha ouvido falar desta planta: Sócrates usou-a para pôr termo à sua própria vida. Daí pode depreender o óbvio: trata-se de uma planta venenosa que por isso mesmo deve ser utilizada sempre dentro dos valores recomendados.
  • Coentro – deverá apenas utilizar os frutos maduros, pois as partes verdes poderão causar convulsões (em doses altas).
  • Cólquito – apenas deve recorrer aos fármacos especializados: a planta é altamente venenosa na sua forma natural.
  • Cominho – a ser evitado para crianças (sob a forma de essência), pois tem efeitos convulsivos.
  • Condurango – doses altas desta planta podem ter efeitos tóxicos, causando convulsões e paragens respiratórias.
  • Consolda-maior – não é recomendado para doentes hepáticos e do sistema nervoso; em doses excessivas pode causar sérias perturbações no fígado e no sistema respiratório.
  • Copaíba – o tratamento não deverá ultrapassar semana e meia (seguida), pois ao fim desse período pode criar problemas digestivos.
  • Cravinho – não é recomendado a quem sofra de úlcera gastroduodenal e/ou gastrite, pois poderá provocar vómitos e dores.

D

  • Dictamno – é contra-indicado na gravidez, pois em doses elevadas pode provocar hemorragias uterinas e abortos.
  • Doce-amarga – para uso exclusivamente externo; a ingestão de qualquer parte da planta causará vómitos e diarreia, assim como perturbações do sistema nervoso.
  • Dormideira – especial precaução com as doses recomendadas, pois excedê-las terá efeitos tóxicos; ingerir a decocção ou o óleo com bebidas alcoólicas aumenta-os ainda mais.

 

E

  • Éfedra – não sendo fatal, é uma planta altamente tóxica, pelo que apenas deve ser receitada por um especialista.
  • Escrofulária – uso exclusivamente externo, pois é tóxica se ingerida.
  • Espargo – deve ser evitado (sobretudo em grandes quantidades) por doentes renais.
  • Espinheiro-cerval – deverá sempre recorrer a doses reduzidas, pois o excesso facilmente provoca cólicas, vómitos ou mesmo hemorragias.
  • Estragão – a dose excessiva irá agitar o sistema nervoso.
  • Estramónio – planta tóxica que em altas concentrações provoca alucinações e estados de euforia.
  • Eucalipto – quando utilizado por via interna, o seu uso correcto é desprovido de qualquer tipo de sequelas negativas. Contudo, o uso excessivo pode causar gastroenterite ou sangue na urina.
  • Evónimo – deverá limitar o seu uso a aplicações externas, pois interno terá efeitos tóxicos graves.

F

  • Feto-macho – é contra-indicado para um conjunto vasto de patologias: anemia, úlcera, cardiopatia e gastrite; durante o tratamento não poderá ingerir alcóol, azeites ou óleos, sob risco de intoxicação. É altamente recomendado o seu uso apenas sob acompanhamento médico.
  • Fitolaca – as bagas têm efeito tóxico, o que provoca diarreia e vómito.
  • Funcho – o excesso da sua essência pode provocar convulsões.

 

G

  • Galega – a planta fresca tem efeitos de irritação; deverá recorrer apenas à seca.
  • Genciana – desaconselhada para lactantes, pois azeda o sabor do leite, e deve ser evitada por detentores de úlceras gástricas.
  • Gengibre – em doses altas causa gastrite. Em qualquer caso, não deverá usar gengibre caso tenha uma úlcera de qualquer tipo.
  • Giesta – não se recomenda em casos de hipertensão.
  • Ginseng – não deverá ser tomado em conjunto com café ou chá, devido às propriedades excitantes que as três substâncias têm; ginseng em excesso pode também causar crises de nervosismo.
  • Globulária – quantidades excessivas poderão induzir vómitos e diarreias fortes.
  • Gracíola – em casos de sobredosagem pode provocar violentos vómitos e cólicas, e no extremo, paragem cardíaca.
  • Grindélia – em doses altas é tóxica.
  • Groselheira-espim – as bagas a utilizar devem ser maduras, pois verdes causam problemas digestivos.

H

  • Hera – as suas bagas são altamente tóxicas, pelo que não as deve ingerir em qualquer situação.
  • Hipericão – durante o tratamento deve evitar a exposição ao sol o mais possível, uma vez que esta planta aumenta a sensibilidade aos raios solares.
  • Hissopo – deverá respeitar as doses recomendadas, pois o excesso pode causar convulsões.
  • Hortelã-pimenta – as doses excessivas são nocivas, quer por inalação (espasmos localizados), quer como essência (nervosismo, palpitações e insónias).

 

I

  • Ipecacuanha – utiliza-se o pó da raiz, com o qual deverá ter um cuidado especial pois pode provocar graves irritações no contacto com a pele. O uso excessivo provoca vómitos violentos.

J

  • Jaborandi – por ter um efeito intenso no sistema nervoso, o seu emprego apenas deve ser feito com acompanhamento médico.
  • Jalapa – deverá encontrar outra alternativa caso tenha uma inflamação intestinal; é também contra-indicada para grávidas.

 

L

  • Laranja – não deve ser ingerida em jejum caso tenha problemas da vesícula biliar, pois provoca sensação de mal-estar.
  • Linho – a duração do óleo produzido pelas sementes é escassa, e estragado causa forte irritação no uso exterior.
  • Lírio-dos-vales – as suas bagas são tóxicas, pelo que não as deve ingerir.
  • Loendro – uso exclusivamente externo, já que a ingestão pode ser fatal.
  • Lúpulo – o seu uso excessivo poderá causar náuseas.

M

  • Malmequer-dos-brejos – recomenda-se apenas o uso externo
  • Manjericão-grande – apesar dos seus muitos usos, deverá ponderar a sua utilização, respeitando sempre as doses recomendadas: o uso excessivo pode causar irritabilidade e ter efeitos narcóticos.
  • Meimendro-negro – é uma planta narcótica e tóxica, que, em doses elevadas, pode causar alucinogénia.
  • Milefólio – não é recomendado em casos de úlceras gástricas; doses elevadas poderão causar fortes dores de cabeça. Um efeito secundário comum, mas pouco grave, é o aparecimento de pequenas alergias na pele, facilmente tratáveis.
  • Milho – não é recomendado a doentes da próstata.
  • Mostarda-negra – recomenda-se apenas uso externo, pois a sua ingestão é extremamente irritante para o aparelho digestivo.

 

N

  • Norça-preta – deverá limitar o seu uso (externo) à raiz, não ingerindo qualquer parte da planta, pois é venenosa.
  • Noveleiro – as suas bagas são venenosas, pelo que as deverá evitar a todo o custo.

P

  • Pilriteiro – apesar de não ter efeitos secundários dentro das doses normais, em doses bastante excessivas pode levar a perturbações cardíacas e respiratórias.
  • Pimenta – utilizada em excesso pode aumentar a pressão arterial e causar problemas no aparelho urinário. Não deverá usar pimenta em caso de gastrite, hipertensão, hemorróidas e úlceras.
  • Pimenta-de-água – doses excessivas aquando do uso interno podem causar mal-estar no aparelho digestivo.
  • Pinheiro – doses muito elevadas em crianças podem provocar alterações no sistema nervoso.
  • Piri-piri – deve evitá-lo caso sofra de problemas do tracto digestivo, sobretudo úlceras (em todo o aparelho), gastrite, colite e hemorróidas.
  • Primavera – planta altamente alérgica.
  • Pulsatila – apesar de a planta seca (a que deverá usar nos tratamentos) não ter qualquer componente tóxica, já o mesmo não se aplica à planta fresca, que deve evitar a todo o custo.

 

Q

  • Quássia – deve ser evitado por pessoas com úlceras e pelas mulheres durante a menstruação. O excesso de uso pode provocar vómitos.

R

  • Rauvólfia – os seus componentes têm efeito altamente alcalino, pelo que apenas deve recorrer a esta planta com ajuda médica.
  • Rícino – a utilização excessiva é extremamente perigosa, podendo mesmo ser fatal.
  • Romãzeira – a casca da raiz, recomendada para infusões, não deve utilizada por crianças, pessoas enfraquecidas nem mulheres grávidas.
  • Ruibarbo – a utilização prolongada levará a colites. Além disso, não é recomendado em situações de gravidez, lactação, hemorróidas e problemas renais.

 

S

  • Sabugueiro – ingerir grandes quantidades das bagas pode causar distúrbios digestivos, assim como mal-estar geral.
  • Salsa – o seu consumo deve ser moderado por parte de grávidas, pois pode potenciar o aborto em casos que já exista essa predisposição.
  • Salsaparrilha-bastarda – doses excessivas podem causar enjoos fortes e vómitos.
  • Salva – não é recomendado a grávidas que não estejam em final de gravidez, lactantes e pacientes com perturbações psicológicas.
  • Sanamunda – doses excessivas poderão causar forte mal-estar geral.
  • Santónico – não deverá ser utilizado em crianças com menos de 4 anos; uma dose excessiva poderá causar perturbações nervosas.
  • Saponária – no que diz respeito ao uso interno, doses altas demais podem provocar intoxicações.
  • Sassafrás – doses excessivas poderão provocar convulsões.
  • Selo-de-salomão – doses excessivas do seu caule serão nocivas para o bem-estar geral; evite também as bagas e as folhas, que são altamente tóxicas.

T

  • Tanaceto – a ser evitado por grávidas. Em doses elevadas pode causar convulsões.
  • Tasneirinha – deverá ser alvo de um cuidado especial com as quantidades utilizadas por parte de doentes hepáticos.
  • Teixo – uma planta bastante perigosa, já que toda ela é venenosa com a excepção da parte utilizada na fitoterapia. Use-a com precaução, pois pode causar graves distúrbios cardio-respiratórios, levando mesmo à morte.
  • Trevo-cervino – uma dose excessiva do trevo-cervino pode induzir vómitos.
  • Trevo-de-água – deve respeitar as doses recomendadas, pois um pequeno excesso provocará o vómito.
  • Tussilagem – o efeito tóxico das folhas cruas é facilmente contornável se optar por utilizá-las secas.

 

U

  • Uva-ursina – não deverá realizar tratamentos à base desta plana durante mais de duas semanas seguidas, pois ao fim desse período cria-se problemas digestivos.

V

  • Viburno – para uso exclusivamente externo, pois as bagas são tóxicas: provocam vómitos e diarreias.
  • Visco-branco – as bagas são tóxicas, pelo que não deve recorrer a elas. Em grandes quantidades podem provocar vómitos, hipotensa e problemas cardio-respiratórios graves.

 

Z

  • Zimbro – não recomendado a grávidas ou em casos de inflamações dos rins.