Homeopatia: quando a doença também é a cura

Frasco medicamento

Prática milenar da medicina alternativa, a Homeopatia destaca-se por entre o mundo das terapias naturais por ser a única que se baseia na teoria similia similibus curantur, ou seja, na similitude. Confuso? Nós esclarecemos: a homeopatia cura uma doença com… a própria doença! Descubra mais.

Uma história milenar

A história revela que os pilares daquilo que viria a ser a Homeopatia como a conhecemos hoje foram estabelecidos por Hipócrates há mais de 2500 anos. Para Hipócrates, a saúde humana era um resultado directo entre a pessoa e o seu meio envolvente, sendo que era necessário estudar o doente e não a doença, recorrendo depois à natureza par ajudar a restituir o equilíbrio natural do organismo. E é precisamente a Hipócrates que se deve a primeira descrição sobre a abordagem homeopática, que podia ser executada de duas formas: similia similibus curantur (os semelhantes são curados por semelhantes) e contraria contrariis curantur (os contrários são curados por contrários). Cláudio Galeno, um médico grego, aprofundou os estudos em torno do segundo princípio, entre outras áreas medicinais, e era perito em manipular preparados farmacêuticos. Considerado o melhor médico do seu tempo, isso reflectiu-se durante os próximos quinze séculos em que o seu trabalho nunca foi contestado. No entanto, durante o século XVI, Paracelso – um dos maiores admiradores de Hipócrates e, por isso, crítico de Galeno – abala o mundo medicinal ao anunciar um regresso à natureza e às abordagens de saúde holística.

O pai da homeopatia

Porém, o homem que verdadeiramente se destaca em toda a história da Homeopatia é, sem dúvida, o médico alemão Samuel Christian Frederich Hahnemann. Frustrado com a forma como se praticava medicina na altura, Samuel Hahnemann abandona-a em 1789 e, aproveitando-se do facto de ser poliglota (diz-se que falava mais de 10 línguas) dedica-se à tradução de obras médicas e científicas. Foi durante a tradução de um trabalho de Cullen – que descrevia o uso de quinina para tratar a malária, sendo que esta substância fortalecia o estômago e eliminava a febre – que a descoberta da Homeopatia começa a ganhar forma. A sua curiosidade inata e científica levou o médico a ingerir esse medicamento, o que lhe provocou um surto de sintomas semelhantes àquelas associadas à febre malária, os quais apenas cessavam quando parava de tomar o medicamento. A vontade de estudar os efeitos medicamentosos em pessoas saudáveis antes de serem aplicados aos doentes propriamente ditos, levou Samuel Hahnemann a experimentar inúmeras substâncias em si próprio (entre as quais arsénico, ópio, mercúrio e beladona), realizando, inclusive, experiências em vários familiares. Foram seis anos de estudo intensivo que culminaram com a publicação de um ensaio sobre o tema e o nascimento oficial da Homeopatia em 1796. O resto como se costuma dizer, é história.

Os 3 princípios da Homeopatia

De uma forma muito simples, a Homeopatia, enquanto terapêutica, recorre a uma substância que, se for administrada a uma pessoa saudável, provocaria os mesmos sintomas manifestados pela pessoa que está doente. Um dos exemplos habitualmente utilizados para exemplificar um tratamento homeopático é o da picada de uma abelha: quando infiltrado na pele, o veneno da abelha causa um pequeno inchaço rosado. Segundo os princípios da Homeopatia, o tratamento prescrito seria, sem dúvida, um medicamento homeopático cujos componentes foram retirados da …abelha! Já a grande obra de Samuel Hahnemann, “Organon de l´Art de Guérir”, publicada em 1810, apresentava os três princípios fundamentais da Homeopatia, que são, ainda hoje, a sua base.

  1. Princípio da Similitude: aquilo que provoca a doença também a cura, baseia-se na teoria similia similibus curantur, ou seja, o semelhante cura o semelhante. Procura-se a semelhança entre a sintomatologia apresentada pelo doente e o equivalente na substância homeopática (similia).
  2. Princípio da Infinitesimalidade: são utilizadas doses mínimas das substâncias homeopáticas (que em doses normais provocariam os sintomas da doença a tratar) para curar o doente. Quanto mais diluído for o medicamento, maior a eficácia, até porque é a própria técnica de diluição utilizada na preparação dos medicamentos homeopáticos que despertam e potenciam as propriedades curativas das substâncias em causa.
  3. Princípio da Globalidade: a Homeopatia não se concentra exclusivamente na doença, mas antes na pessoa como um todo. Avalia-se a sua constituição física, o seu temperamento e, claro, os sintomas. Só depois é prescrito um único medicamento, aguardando-se as reacções "homeostáticas” antes de repetir a dose, alterar a substância utilizada ou aguardar a cura.

Milhares de medicamentos

São mais de três mil os medicamentos homeopáticos conhecidos – e talvez por isso mesmo são quase sempre apresentados por abreviaturas. A maioria é extraída de plantas, animais ou minerais e a sua preparação para consumo implica um processo bem definido: depois da extracção dos ingredientes naturais, esses são misturados com álcool e água, seguindo-se um tempo de repouso que pode variar entre duas e quatro semanas. A solução é depois agitada, filtrada, coada e diluída para obter o medicamento final que tanto pode ser em forma de comprimidos ou pó, como em granulado ou gotas. 

Indicações & Contra-indicações

A Homeopatia está indicada para o alívio e cura de uma enorme variedade de distúrbios emocionais, mentais e físicos, nomeadamente: problemas digestivos, menstruais, dermatológicos e respiratórios; infecções virais, nevralgias, depressão; e ainda algumas doenças crónicas como a asma, alergias e cistite. Devido ao seu elevado grau de diluição, os medicamentos homeopáticos são conhecidos por não terem efeitos secundários, por não provocarem alergias e não criam habituação. Desde que receitados por um homeopata experiente e credenciado, podem ser tomados por qualquer pessoa, excepto aquelas que sofrem de doenças graves (caso dos diabetes ou patologias do foro cardiovascular), que não devem substituir os medicamentos tradicionais pelos homeopáticos sem antes consultar o seu médico assistente.

Posologia

Na hora da toma, saiba que os medicamentos homeopáticos não podem entrar em contacto com metal, sendo as colheres de pau as mais indicadas para facilitar a sua administração. Para além disso, não devem ser engolidos de imediato, mantendo-se antes algum tempo na boca para facilitar a sua absorção. Apesar de não existir o risco de interacções medicamentosas, a verdade é que o efeito dos medicamentos homeopáticos é anulado pelo álcool, café, óleos essenciais e qualquer substância que contenha hortelã.

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